Os lisboetas têm uma pronúncia muito estranha, não acha?
Que não, até porque sou lisboeta.
Mas sim sim. O senhor nem se nota muito. Talvez seja de andar de um lado para outro. Mas os lisboetas mal se consegue perceber o que dizem.
E sabe outra coisa estranha dos lisboetas? Eles comem as natas à colher!
Natas?
Natas pois. Vocês chamam-lhes bolos de Belém, não é?
Não. Chamamos-lhes pastéis de nata. Pastéis de Belém são uma especialidade refinada do bolo.
E isso da colher não é bem assim. Uns usam a colher, mas a maioria acho que não. Eu não uso.
São mesmo estranhos, os lisboetas, lá insistiu a jovem.
Aconteceu ontem de manhã, à porta de um hipermercado, na Maia, Grande Porto. A miúda teria uns 23 a 24 anos e esperávamos pela abertura do lugar.
Surgiu um pergunta fortuita qualquer e lá começámos à conversa.
Só tinha vindo duas vezes a Lisboa, a primeira numa excursão da escola e as duas vezes sem ter pernoitado.
Ou seja, aos 23 anos o conhecimento da grande cidade deste país resume-se a umas poucas horas. O suficiente para concluir pela estranheza do seu linguajar.
Mas que conhecia muito bem a Galiza e até as Baleares.
Somos mesmo estranhos, os portugueses, digo agora eu.
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