Num repente - hoje ou ontem - o meu carro ficou sem as 3 luzinhas vermelhas que, para segurança do próprio e dos outros, assinalam a travagem das viaturas.
Na Norauto um presumível especialista na reparação automóvel recebe-me e logo me confronta com duas hipóteses: ou ficou com as 3 luzes fundidas ao mesmo tempo ou então é de outra coisa.
Revelei estranheza quanto à primeira possibilidade, mas o entendido logo me esclareceu: não quero dizer que tenha sido ao mesmo tempo. Se calhar foi uma num mês, outra no outro e a outra outro mês depois. Claro que restava a segunda hipótese, a outra coisa.
Ou somos quase todos uns condutores irresponsáveis, capazes de circular 3 meses sem luzes sem darmos por isso, e o especialista já encontrou o perfil padrão, ou então é outra coisa. Uma especialidade.
o memorial que tornará imortal muito do que de mais imperdível se pôde ouvir/ver por aí
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Estas coisas
Confrontado com a chatice de uma de facto demasiado longa espera, o senhor M expressou de modo assertivo o que lhe ia na alma: já estou a ficar demasiado velho para estas coisas. Em silêncio, acompanhei a lucidez do desabafo deste cavalheiro de seis anos e meio.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Magia
D é uma criança traquina, irrequieta, alegre e brincalhona. Cinco anos de aperfeiçoamento levaram a que D tenha a capacidade de elevar qualquer um destes atributos a uma dimensão capaz de levar os
seus pais a algo muito próximo da loucura.
Combina tudo isso com uma doçura e meiguice latentes, que se revelam em
alguns inesperados momentos.
D tem um mano mais velho, o M, cujos labirintos da vida levaram
a que D apenas o consiga ver em semanas alternadas. Seguramente muito aquém dos desejos do pequeno D.
M é o seu herói, normalmente mais disponível para as suas brincadeiras e um modelo que procura imitar, sempre que possível. Até nos gostos, por exemplo, das artes do ilusionismo ou, na versão mais crente e infantil, da “Magia”. Quando M era da idade de D, praticava abundantemente esta arte. Hoje nem tanto. Mas D segue-lhe os passos e também gosta de “Magia”, sendo múltiplos os pedidos que faz ao irmão para que lhe passe os seus conhecimentos nesta área.
M é o seu herói, normalmente mais disponível para as suas brincadeiras e um modelo que procura imitar, sempre que possível. Até nos gostos, por exemplo, das artes do ilusionismo ou, na versão mais crente e infantil, da “Magia”. Quando M era da idade de D, praticava abundantemente esta arte. Hoje nem tanto. Mas D segue-lhe os passos e também gosta de “Magia”, sendo múltiplos os pedidos que faz ao irmão para que lhe passe os seus conhecimentos nesta área.
Num destes dias, D insistia para que M lhe ensinasse “Magia”.
M não estava para aí voltado e tentava descartar-se.
Numa última tentativa de persuasão, D dispara: “Mano, sabes
porque é que eu quero aprender magia? Porque se eu soubesse fazia um truque
para tu ficares comigo o tempo todo!”.
E derretemos todos, com o pequeno e irrequieto D.A Preguiça
Ouvir conversas alheias é um passatempo que pode facilmente originar momentos deliciosamente fúteis. Não confundir com coscuvilhice, acção pela qual pretendemos saber como vai a vida dos outros para, invariavelmente, tecermos críticos comentários acerca dessas outras vidas. Ambas as actividades têm as suas dignas valências e confesso já o meu apreço pela prática de ambas.
Contudo, ouvir conversas avulsas sem ter o trabalho de elaborar nenhum tipo de juízo sobre quem as pratica, dá-me um especial e preguiçoso gosto, pois muitas vezes é como assistir a pequenos trechos de peças de teatro cujo início e fim desconheço em absoluto. Apenas posso imaginar e tentar contextualizar aquela pequena conversa. Ou nem me dar sequer a esse trabalho e desfrutar apenas de algumas frases ouvidas de fugida.
Ontem foi um desses momentos. Uma senhora, negra, peso avantajado e seguramente uma vida sofrida queixava-se ao telemóvel, num sotaque que sublinhava as suas raízes africanas: “Vê lá tu que agora ela nem quer sair de casa! Diz que não tem roupa. E passa o dia na cama. Todos os dias lhe digo: Sai da cama rapariga, vai procurar um trabalho, vai fazer as necessidades...”.
Até onde poderá chegar a preguiça humana para justificar que alguém tenha que chamar a atenção de outrem para a conveniência de se levantar para “fazer as necessidades”?...
Preguiçosamente, segui o meu caminho sem esperar para ouvir mais detalhes daquele drama.
Contudo, ouvir conversas avulsas sem ter o trabalho de elaborar nenhum tipo de juízo sobre quem as pratica, dá-me um especial e preguiçoso gosto, pois muitas vezes é como assistir a pequenos trechos de peças de teatro cujo início e fim desconheço em absoluto. Apenas posso imaginar e tentar contextualizar aquela pequena conversa. Ou nem me dar sequer a esse trabalho e desfrutar apenas de algumas frases ouvidas de fugida.
Ontem foi um desses momentos. Uma senhora, negra, peso avantajado e seguramente uma vida sofrida queixava-se ao telemóvel, num sotaque que sublinhava as suas raízes africanas: “Vê lá tu que agora ela nem quer sair de casa! Diz que não tem roupa. E passa o dia na cama. Todos os dias lhe digo: Sai da cama rapariga, vai procurar um trabalho, vai fazer as necessidades...”.
Até onde poderá chegar a preguiça humana para justificar que alguém tenha que chamar a atenção de outrem para a conveniência de se levantar para “fazer as necessidades”?...
Preguiçosamente, segui o meu caminho sem esperar para ouvir mais detalhes daquele drama.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Na cabeça de...
Ficou famoso um filme que "explorava" a cabeça de John Malkovich ("Being John Malkovich").
Ontem, um dos contribuintes líquidos mais famosos deste MDF, o senhor M, destacava-se de novo. Queixava-se desde a manhã de dores de cabeça e combinámos graduar a percepção da dor de 1 a 10. Como se fosse um filme (ou "chilme", como o Sr. M ainda diria há uns 3 anitos).
Começou com um 10 e lá foi concordando, por entre gritos e risadas, em ir reduzindo até 5. Bem ao fim da noite, quase esquecido da maleita que o/nos levara de manhã às urgências de um centro de saúde, lá disparou um 3.
Arrisquei: eh pá, se é um 3 então é quase nada. Resposta imediata do Sr. M, no papel de continuado paciente: "isso dizes tu porque não estás dentro da minha cabeça, pois não?".
Ainda perguntei se ele tinha uma porta por onde pudesse entrar. Olhou-me com severidade e imagino que uma certa dose de vernáculo lhe terá perpassado pela mente. Mas, educadamente, lá se conteve.
Ontem, um dos contribuintes líquidos mais famosos deste MDF, o senhor M, destacava-se de novo. Queixava-se desde a manhã de dores de cabeça e combinámos graduar a percepção da dor de 1 a 10. Como se fosse um filme (ou "chilme", como o Sr. M ainda diria há uns 3 anitos).
Começou com um 10 e lá foi concordando, por entre gritos e risadas, em ir reduzindo até 5. Bem ao fim da noite, quase esquecido da maleita que o/nos levara de manhã às urgências de um centro de saúde, lá disparou um 3.
Arrisquei: eh pá, se é um 3 então é quase nada. Resposta imediata do Sr. M, no papel de continuado paciente: "isso dizes tu porque não estás dentro da minha cabeça, pois não?".
Ainda perguntei se ele tinha uma porta por onde pudesse entrar. Olhou-me com severidade e imagino que uma certa dose de vernáculo lhe terá perpassado pela mente. Mas, educadamente, lá se conteve.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Estupidez de adulto
A propósito da vontade da criança em levar para a escola 2 "beyblades", um adulto procura elaborar sobre a importância da responsabilidade, logo ali, aos 6 anos.
O exemplo a que recorre:
"...imagina que num shopping eu e a mãe vamos contigo e com a tua irmã e só quando chegamos ao carro, para regressar, é que nos damos conta que nos esquecemos de um dos filhos. Não pode acontecer. É assim que deves proceder, como se cada coisa que leves contigo seja um filho."
Comentário (quase) em surdina do homem com 6 anos, ainda ia a meio a tentativa de racionalização adulta: "que conversa tão estúpida!".
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Universíadas da linguagem
E o senhor L a dar nota de alguém próximo com qualificações académicas tais que até uma pós-graduação em doutoramento fez!?
O Greno
Conversa escutada no dia 10 num telefone perto de nós: o senhor A pergunta por "aquela coisa" que serve para extrair líquidos indesejáveis de dentro do corpo. O senhor V propõe que será um dreno. O senhor A confirma, ah pois, greno, pois claro, para grenar as impurezas.
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