terça-feira, 27 de janeiro de 2015

um Ferrari e um avião

Vítor, o carro com que andas agora é rápido?
Sim, é.
Mas é mesmo muito rápido? Ultrapassas os carros todos?
Bom, se passar um Ferrari por mim não consigo ir ultrapassá-lo. Ele passa por mim e vrrrum!, nunca mais o vejo.
O senhor M, com um daqueles sorrisos próprios dos grandes momentos, lá sentenciou: quando for grande vou ter um Ferrari... e um avião.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

há verdades que convém adequar a uma criança (sem deixarem por isso de ser verdade)

Ouvido a uma mãe, hoje, num café de Lisboa: a minha filha (que está no 1º ano do ensino básico, percebeu-se) perguntou esta manhã se a escola iria ser sempre assim, tão difícil. Respondi-lhe logo, olha, vai ser sempre cada vez mais difícil do que isto, o ano a seguir mais difícil que o actual.
Pergunta da interlocutora de circunstância, meio chocada com a veemência desta mãe: e como é que ela reagiu.
Ficou-se. Que remédio!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

contributo para a sociologia deste tempo

Com o ar grave das conversas importantes, num supermercado grande, um segurança diz ao outro: A cena é esta ó Luís, é por eu saber como é que eu sou que eu reajo assim às cenas, tás a ver, bué da calmo, numa naice.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Essa perigosa gente do circo

E é então que a senhora Y, preocupada com os recentes e trágicos acontecimentos do Charlie Hebdo mas com um ouvido pouco apurado para as subtilezas linguísticas e com algum delay em relação à realidade, resolve informar os seus colegas (3 dias após os factos), num misto de tom grave e aliviado: "Então lá apanharam aqueles franceses do Chapitô!".

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

... ou para nunca mais

O senhor M está imparável.
Ao ser admoestado por continuados fracos resultados na escola (reflectidos nas malfadadas bolinhas às cores com que os professores classificam diariamente comportamento e trabalhos na sala de aulas), o senhor M enfrentou a severidade de quem lhe ralhava com a tranquilidade moral que é própria dos injustiçados, disparou um "deixa lá isso para outro dia" rematando, já em semi-surdina "... ou para nunca mais".
Há um risco nestas histórias do senhor M, que os adultos se entretenham nas respostas hilariantes e esqueçam a seriedade dos episódios da vida deste pequeno cavalheiro. Mas é um fartote.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

a vida por um calendário

Sindicalistas experimentados distribuiam hoje panfletos com o apelo a uma greve, ao mesmo tempo que formulavam simpáticos votos de bom ano e ofereciam um modesto calendário de secretária. A senhora E não se ensaiou muito e lá pediu mais um.
Talvez já habituado, o sindicalista lá concedeu.
As costas viradas e já a senhora E afirmava, elogiativa e categórica, o outro sindicato não nos dá nada.
Não se referia à inteligência negociadora, ou à capacidade reivindicativa ou sequer representativa dos sindicatos. Era apenas uma questão de merchandising.

Chatices no Metro

"O sofrimento é uma coisa chata", afirmava hoje, determinada, uma senhora com boa apresentação e habitual companheira das minhas viagens metropolitanas.